(Ir)refletido

Olhando para o espelho percebo um rosto que volta seu olhar para mim, cardíaco, melancólico.
Compreendo a falta do ser em mim.

O que deseja esse rosto do meu rosto, endemoniado?

Suspiro lembranças amálgamas de mim em um vendaval ululante docilmente das perdas totais da alma.
Compreendo a falta do ser em mim.

Serei eu perda da criança sorridente do reflexo nauseante?

Em uma escaldante dança fúnebre, vendo-me ao bom algoz da rotina suada, fissurada, escrutada.
Compreendo a falta do ser em mim.

O que reflete, de fato, o espelho de Deus? Seu jovial rosto andrógino ou mesquinho carrancudo ancião?

A mim só desejo a boa morte, que alenta sonhos do meu coração e pequeno me vejo (ir)refletido no hall dos santos amores.
Compreendo a falta do ser em mim.

J.P. de Alcântara

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