Estaleiro


Meu amor,
A vida é centelha dos sonhos de Deus,
Instante entre dois instantes,
Um fino sopro do Amor incondicional.

Meu amor,
Estou de partida,
O mundo me convoca,
A avançar no caminho.

Meu amor,
Não sou porto para ancorar,
Sou vento que sopra
Suas velas e te faz navegar.

Navegar para novos mares,
Ancorar em novos portos.
Perceberás que é mais fácil
Aprender a viver sem mim
Do que aprender a viver comigo.

E os dias passarão
E teu barco se afastará
Dos velhos cais da minha vida
E encontrarás portos mais belos que eu.

Querer que não ancores
Em outros portos além do meu
Não seria correto,
Pois as novas aventuras te farão crescer.

Meu amor,
Sou porto sem farol,
Cais sem barcos
E veleiros a naufragar.

Os solitários vêm a mim
Temerosos com o mundo,
Ancoram em meu porto
E lhes afago as velas.

Para depois partirem
À desbravar novos mundos
Fortalecidos com os ventos
Que lhes soprei como alento.

Meu amor,
Navegue em profundas águas,
Carregando minhas marcas
Sem se deixar envolver pelas minhas mágoas.

E um dia talvez volte
A ancorar em meu peito
E lhe afagarei as velas
Para lhe curar as feridas que por ventura possa ter.

E partirás novamente
Aos belos portos de visitas
Outros de ancoragem 
E eu... apenas estaleiro.

J.P. de Alcântara 


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