Hoje fui ao supermercado
Comprar Coca-cola,
Pois ouvir dizer que lá
É que se guardava a felicidade.
Que tolo!
Ao abrir, ela escapuliu
Escorrendo entre os dedos,
Bebi e permaneci triste,
Só tive gases. Muitos gases.
Não preciso que digas
O que devo ser,
Quero que me arrebates
Com intensa dor
Quando eu não for.
Quando tiver preguiça de sonhar,
De tentar presentificar minha vida.
Não há como comprar amor,
Se estivesse a venda seria caro demais
E os pobres de espírito não alcançariam
Tamanha graça.
Não há como vender... só ceder,
Ceder à correnteza que abarca o ser,
Que encharca meus ossos cariados
E cura as úlceras da alma!
Ceder ao princípio tenaz,
Chorar a falta de choro e tristeza,
Combater a fome de risos,
Lamentar os faltos lutos e ceder...
Ceder à dor de ser, quebrantar corações
Que abrem frascos mágicos
E lutam contra a triste alegria de não ser feliz,
Por um dia só.
Ser triste e chorar!
Dai-me o direito de não sorrir por hoje...
Deixe-me de luto
E lutar pela melancolia,
Que é minha!
Deixe-me angustiar,
Vestir o preto da morte
E morrer em paz!
Deixe-me sentir e parar
Parar de me empanturrar
Com gases de felicidade
Mundo! Mundo insensato!
Hoje quero chorar...
J.P. de Alcântara

Comentários
Postar um comentário